Manual de Sobrevivência

Istambul é uma cidade engraçada! E levemente surreal. Pelo menos eu achei. E aqui vai meu pequeno (e muito pessoal) guia de sobrevivência na cidade dos dois continentes.

(foto da mesquita azul...que não é azul mas saiu azul na foto. meda)

By night

Alguém lê manual de instruções? Eu não! Os fabricantes de produtos eletrônicos deveriam fazer um teste para saber se as pessoas lêem, como o que eu e minha amiga Claudia fizemos com a nossa professora de história na 6a série. Queríamos confirmar nossa suspeita de que ela não lia as imensas provas que fazia a gente escrever e chutava as notas. Escrevemos então besteiras ao longo das respostas, coisas como "Ilana e fulano de tal", "Claudia loves ..." (eu sei que faz tempo, mas nossas paqueras da 6a série ainda são secretas!). Nossas suspeitas foram confirmadas quando a prova voltou sem nenhum comentário. Mas, voltando aos manuais, não leio e por isso, demorei um ano para descobrir que posso brincar com a abertura da minha máquina digital e tirar fotos noturnas sem flash! Aqui vão algumas que tirei na Tuquia!

 

(a vista do meu barco)

 

(canal de bósforo, istambul)

 

(mais uma de Istambul, tirada do terraço)

(luna, a mais fofa)

(luna e istambul)

(bar à beira do canal de bósforo)

(mais uma do bar)

De volta

Voltei. Foi incrível. E gostaria de comunicar que estou vendendo todos os meus pertences (menos os biquínis) e me mudando para um barco turco. Vou descascar batatas, lavar as velas e dar aulas de lambada. Lavar o chão e a roupa do capitão.

Ok, não vou fazer nada disso...é apenas um surto pós-férias. Mas estou com saudades de dormir e acordar sob as estrelas e mergulhar no mar antes do café.

Bom, tenho várias fotos, histórias e constatações que vou organizando e publicando nos próximos dias...mas começo de onde parei...meus desejos de férias...alguns se concretizaram...outros...

Não sou eu quem me navega...

Pronto! Chegou a hora...a palavra mágica. F-É-R-I-A-S! Eba!

Parto para a Turquia em uma jornada absolutamente jetset, com direito a festança de casamento (alheio, não meu) e semana-Caras navegando pela costa turca. Estou obviamente insuportável, absurdamente animada e contando os minutos (e as calorias).

Meus desejos de férias são:

  • que alguém invente a cura da ressaca nos próximos dois dias
  • que todos os modelos que estou programando funcionem e me deixem com um ar de Elle MacPherson em férias na Riviera
  • que os discursos do casamento não sejam muito longos e que a mãe da noiva não resolva me contar segredos de familia, apesar de não me conhecer (é sério, aconteceu no último casamento que fui)
  • que a brisa do mar faça minha barriga virar um tanquinho, apesar de toda a comida e bebida turca
  • que não tenha ninguém mala no meu barco. Nem nenhuma loira peituda solteira. Ou alguém que fique enjoado.
  • que eu descubra um vilarejo esquecido pelo tempo onde são produzidas bijuterias étnicas sensacionais por preços do século passado
  • que eu volte absolutamente descansada, com aquele sorrisinho irritante
  • e com uma tonalidade semelhante à do Pelé

Beijos e até a volta!

Aventuras no mundo infantil

No sábado, fui a um churrasco comportado, mesa no jardim, conversas sobre o tempo, pequenos goles de donzela no meu copão de Pims, e uma menina linda de dois anos correndo atrás do gato. Tudo muito bucólico. Na hora da sobremesa, tendo me comportado exemplarmente até então, abro feliz um chocolate delicioso que os donos da casa me oferecerem. Do lado da criança, que já vem seca com boca de Anaconda. Olho para a mãe zelosa, que me dá o sinal verde. Só para depois me dizer que "na verdade, não gosto de dar chocolate para minha filha, mas de vez em quando tudo bem, acho que desta vez ela nem vai vomitar ". ???? Ups. Resolvo afastá-la do chocolate malvado e levo a menina para passear pelo jardim. Por algum motivo que só faz sentido na mente infantil, ela decide que eu quero comer todas as diferentes variedades de folhas, que arranca das árvores e me dá na boca! Entro na brincadeira, finjo comer as folhas, acho tudo muito divertido. E ainda olho de canto de olho para saber se o gringo lindo está me vendo socializar com a menina e imaginando que linda mãe eu darei.

Sucesso. Até que devolvo a criança para a linda mãe verdadeira. E a menina começa a comer de verdade - para horror de todos - as folhas do jardim. Ups. Again. É por essas e outras que eu ainda vou esperar alguns bons anos. Ok? Mãe????

A loja mais legal do mundo

Continuando o momento de surto consumista...

Proibido vir a Londres sem visitar essa loja. Já está virando cartão postal, desde que deixou de ser segredinho das descoladas pobres. Chama-se Primark. E fazer compra lá é uma experiência bizarra. Fui pela primeira vez num sábado, munida de alguns poucos pounds e muita paciência. Ah, e do gringo lindo. Ele entrou, teve um mau humor instantâneo e foi me esperar no pub. Eu fiquei lá uma hora. Tá, duas. Nesse tempo eu vi: o segurança proibindo uma cliente de beber água dentro da loja, uma gerente gritando com a vendedora porque ela passava mais do que dois minutos pendurando cada calcinha, uma mulher brigando com o marido e outra com o namorado pelo celular. Tive que esperar quase 20 minutos para entrar no provador.

Saí de lá suada, descabelada e quase sem marido.Mas, gastei £18(74 reais!) e comprei duas camisas lindas, uma saia amarela, dois tops modernosos e óculos escuros de aviador. Viciei. Da segunda vez que fui, meus pobres £20 (82 reais!) renderam dois conjuntos de lingerie, um biquíni, três cintos e uma calça fofa de ficar em casa.A experiência é bagaceira das boas, mas as roupas são bacanas, ridiculamente baratas e até agora nenhuma se dissolveu na máquina de lavar! E eles dizem (e eu acredito) que não são feitas em inferninhos no Sri Lanka. E para completar, passado o trauma inicial, você sai de lá de sentindo rica, carregando várias e várias sacolas. Eba!

PS: Quem vier visitar a Gringolândia e essa guerreira que vos fala ganha um passeio guiado para a Primark! E um vale-compras no valor de £1!

Doce ironia

Eu acredito na intuição consumista. E no poder telepático dos objetos do desejo.

Hoje, por exemplo. Fui até Covent Garden (bairro cheio de lojas ótimas localizado a perigosos 5 minutos do meu trabalho). Precisava comprar um presente de casamento. Haha. Obviamente, não comprei o presente, e gastei toda a minha hora de almoço olhando as liquidações finais de verão e peruando com a amiga que encontrei por coincidência.

Peruagem vai, peruagem vem, vejo um sapato lindo em promoção.

Salto altíssimo, amarelinho, dedinhos de fora. Totalmente verão e totalmente desnecessário como deve ser todo objeto do desejo. E por míseros £10. Mas penso na imensa lista de compras para as férias e, com dor no coração, resisto. Momentos depois, dou de cara uma bolsa, também em liquidação. Bem mais útil e pela bagatela de £6. Ok, essa vou comprar. Mas, ao chegar ao caixa, descubro que confundi e o que parecia 6 é na verdade 10. Largo a bolsa e vou embora.

Cinco passos e ouço um chamado. Tento ignorar, mas as palavras "sapato, amarelinho, lindo, desnecessário, baratinho" ficam martelando na minha cabeça. Já atrasada, resolvo voltar correndo para buscar o sapato, com uma ponta de remorso porque, na verdade, preciso mais da bolsa (mujeres, mujeres). Mas qual não é minha surpresa ao descobrir, na hora de pagar o sapato, que o que era 10 foi rebaixado e virou 7!!

Doce ironia!

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