Hihihi

Existe um tipo de esnobismo muito peculiar aqui no hemisfério norte. É o esnobismo do "estou indo para o Brasil". Principalmente se tal viagem acontece no inverno daqui, verão ali.

Como volto à nave-mãe muito menos do que gostaria, estou sempre do lado esnobado, fico verde de inveja e roxa de frio, e só me resta encomendar um pacote de cigarros baratos e me contentar com um sonho de valsa na volta.

Maaaaaaaas, desta vez, "estou indo para o Brasil". Hihihi. E está calor lá e está frio aqui e eu vou passar um mês de sandália e vou esquecer qual a textura da lã, o diâmetro do gorro e o comprimento do cachecol! Hihihi.

Aos leitores, os daqui e os daí, continuarei postando sempre que possível. Afinal, visitas à terrinha sempre rendem.

Ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

 

Rainbow Warrior

Quando cheguei aqui à Gringolândia, tinha absoluto ódio ao Starbucks.

 

Para quem não conhece, trata-se da rede de cafés americana, alvo preferido dos anticapitalistas, que se espalhou feito pulga aqui pela Europa. Até em Vienna, cidade dos cafés verdes com lustres maravilhosos, como disse Lili, apareceram uns, para desespero dos gringolindenses.

 

Enfim, quando por aqui cheguei odiava o tal. Parcialmente influenciada por meu amigo guerrilheiro que odeia o capitalismo mas fuma Malboro (saudades). E secretamente influenciada pelo fato de que um café com leite custava a metade do meu salário de Isaura.

 

 

Mas o tempo foi passando, o salário levemente aumentando, o guerrilheiro sumindo e lá pelas tantas acabei entrando no café proibido. E aquele sorriso grudado com superbonder na cara dos atendentes que antes me irritava me fez sorrir na cidade onde as pessoas não sorriem.

 

E o café, aaaaah, o café. Tão cremoso que às vezes eu tomo de sobremesa.

 

No começo eu ainda tinha uma certa consciência pesada e entrada disfarçada com enormes óculos escuros. E não raspava a perna por um dia para compensar.

 

Mas, quer saber, quando está escuro e gelado até mesmo o mais dedicado ativista que mora em cima da árvore precisa de um mimo. E eu não como McDonalds. E é possível fazer o bem de salto alto e lipgloss.

 

Falei! 

ER

Tarde de sábado no hospital...nada grave, apenas uma gripe inofensiva disfarçada de suspeita de malária.

Durante cinco horas entre a recepção e o ambulatório, confesso que me diverti. Com:

 

- o tiozinho bêbado com a mão cortada. Falou sozinho por uma hora e chamou a enfermeira de boneca.

 

- a tiazinha indiana. "I am in pain". 15 minutos depois. "My infection is spreading all over". No final. "The infection is now in my brain, I can feel it". Deixando Cher & cia no chinelo. Escoladas, as enfermeiras têm um hipocondriacometro. Eu fiquei com meda e saí de perto.

 

- a família somali. A moça contorcida. O moço gritando para a receptionista. "I want second-opinion-doctor". Horas depois, sentada em minha salinha de ambulatório, ouvi o "second-opinion-doctor" explicando para o moço que o problema da moça era psicológico. "Ela precisa de um médico de cabeça". Sei que vou servir mojitos ao diabo por causa dessa, mas foi engraçado!

 

- o médico em residência, bunitinho, bunitinho (não, mentes férteis , sou uma rapariga casada e não brincamos de médico, apesar dele ter um estetoscópio de verdade). Mas atenção atenção, meninas solteiras da gringolândia! Os doutores mais belos da cidade estão no University College Hospital. Aproveitem resfriados fortes e suspeitas de infecções tropicais!

 

só curvas

Lendo num blog colega uma rápida divagação sobre retas e curvas, me lembrei de um artista da gringo-lindo-lândia, o Hundertwasser. Esperto, achava que as retas eram antinaturais (viu, estilistas malvados que fazem vestidos tamanho 1!).

Quando estava por lá, fui visitar uma das casas que ele construiu, a Kunst Haus, um misto de museu-galeria-café.

Me senti Alice no país das maravilhas. Primeiro achei que estava embriagada...aí descobri que, ao menos daquela vez, o desnivelado era o chão - e não eu.

Depois resolvi ir ao banheiro. E me perdi para voltar. OK, sempre me perco já que vim ao mundo com vários acessórios divertidos mas sem a necessária bússola-interna. Mas desta vez me perdi mesmo, fui parar em outro andar, demorei uns 15 minutos para voltar à mesa e tive que aguentar piadinhas sobre minha falta-de-senso-de-noção.

Tudo bem, porque foi o lugar mais legal onde já me perdi. Recomendo!

 

 

(como não amar alguém que ama curvas e ainda por cima chama uma de suas pinturas - acima - de It Hurts to Wait for Love
If Love is Somewhere Else).

Do Senegal à Sibéria parte 2

A minha vida é mesmo um seriado...

 

Tradição de ano novo na Gringo-lindo-lândia:

Cada um recebe uma miniatura de chumbo (a minha era um sininho).

Depois da meia-noite, derrete a miniatura em uma colher na boca do fogão (bom, disseram para usar uma vela, mas não derretia então usei a boca do fogão e queimei o dedo e só percebi no dia seguinte).

Depois de derretido o chumbo, você vê com que a forma se parece e olha em uma listinha o significado...e como será seu ano novo...

 

MINHA AMIGA: Todos os anos que faço isso minha figura parece com um espermatozóide.

EU: Linda, às 3 da manhã de ano novo tudo parece com um espermatozóide.

 

MINHA AMIGA: A sua figura não parece com um espermatozóide.

EU: Não...se parece com um anjo! Ebaaaaa! Vê aí o que significa um anjo!

MINHA AMIGA: Significa que este será o ano que você ficará velha. Você vai mesmo fazer trinta anos, né?

EU: Alguém me traz mais um whisky, pelamor!

 

Do Senegal à Sibéria parte 1

Oie! Voltei...

E depois da festança de reveião, as histórias, contos e causos da Indonésia se fundiram com os delírios etílicos da gringo-lindo-lândia (Áustria) e virou tudo um grande schnitzel na minha cabeça...então, sem ordem ou razão definida, aqui vão algumas impressões...

 

* as aeromoças mais fashion do planeta são as da Fly Niky, a companhia aérea "budget" do Niky Lauda (lembram?). O uniforme é um vestido jeans com um cinto e botas no joelho. Arraso! Além do que são todas louras-e-lindas...humpf...

 

 

* em compensação, as aeromoças da Singapore Airlines parecem origamis feitos de cortinas velhas...pobrecitas. Um vestido disforme com estampas que, imagino, devem decorar as janelas das avózinhas orientais...e nos pés, pantufas do mesmo tecido...só se salvam os cabelos, em coques-escultura mesmo depois de 14 horas de vôo (quando o cabelo de nós pobres mortais atinge a consistência de um esfregão).

 

 

* confirmei o que já sabia: a única coisa que me faz sair de casa em dia de nevasca e 5 graus negativos são as liquidações pós-natal.

* equação alto-verão: franja + 40 graus + umidade = bigode Sarney bem no meio da sua testa.

* equação inverno-maluco: cabelo molhado + gorro 24 horas por dia + neve = abajur adornando sua cabeça.

 

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