Minha vida é um seriado

Grrrrrrr

07:15 - Toca o despertador. Acordo atrasada e descabelada após um sonho péssimo em que o gringo-lindo era malvado comigo.

07:30 - Descubro que vi ontem a previsão do tempo do dia errado e que hoje não vai estar quente e não poderei usar o modelo que havia planejado.

07h45 - Me visto correndo e saio vestida com um modelo péssimo que vai me irritar o dia todo e voltar para me assombrar no dia que eu for editora-chefe da Vogue americana.

08:15 - Pego o ônibus e descubro que meu estou sem dinheiro no meu Oyster Card (cartão magnético para o transporte gringolandês). Ainda bem que tenho trocado.

08:20 - Olho feio para uma rapariga que não se move, atrapalhando a passagem de todos no ônibus. Ela olha feio de volta, percebo que ela é cinco vezes maior do que eu e resolvo deixar pra lá.

09:00 - Enquanto subo as escadas para o trabalho, derrubo café dentro da sacola de plástico que contém não só meu almoço, mas também meu walkman que escapa intacto por 1,5 mm.

09:05 - Derrubo café no teclado do computador e derrubo a torrada no chão, obviamente com a manteiga virada para baixo.

09:30 - Descubro que limparam e desconfiguraram o meu computador.

10:00 - Decido que hoje não é meu dia e que o melhor que faço é evitar escadas, fotógrafos e objetos pontudos.

 

Valdemar

Se eu tivesse uma avó conservadora, ela diria que o mundo está perdido mesmo. E de pernas para o ar. Mas minha avó é mudérrna e nunca diria essas coisas.

Mas o mundo está realmente perdido. Vejam vocês. Gringo-lindo vai viajar. Fico sozinha em nosso palacete por cinco dias. Eu, que costumo ter um mínimo (bem mínimo) de organização, abracei a oportunidade como um verdadeiro marido abandonado. Lá pelo quarto dia de solteirice, me peguei em meio a uma cena digna de esposo barrigudo e bigodudo que não toma banho quando a mulher viaja:

 

Sentada no sofá, sem meias limpas pra vestir, a louça de três dias empilhada na pia, assistindo o mesmo episódio de Will and Grace pela oitava vez. E comendo ravióli pronto gelado do dia anterior direto da tigela.

 

Fim de linha.

 

Horrorizada, lavei a louça, a roupa e preparei uma comida de gente para levar de almoço no dia seguinte. Mas não sem antes dar uma olhada rápida no resultado do jogo, coçar o bigode e dar uma volta de cueca pela casa.

 

Porque que a gente é assim

  

Final de semana "vamos discutir a relação" do trabalho. Hotel bacaninha, noite de bar-livre, manhã seguinte de badalo da Catedral da Sé dentro da minha cabeça. Após o café de 360784 calorias e 38273475 gramas de gordura, entro no elevador acompanhada de um casal de velhinhos. Muito britanicamente educado, o senhor me pergunta.

 

- E então, foi boa a noite ontem?

 

Sei que ele não estava no bar (os únicos companheiros etílicos, além do povo do trabalho, eram do time de rugby do Exército britânico, que acabava de vencer o campeonato contra o time da Marinha pelo quinto ano consecutivo. Povo engraçado, todos sem os dentes da frente e com pescoços mais grossos que a coxa da Wilza Carla!).

Pensei, horrorizada, como saberá ele que ontem não fui dormir comportada às 21hs, após colocar bobs e fazer touca? E que, ao invés, fiquei amiga de todos os jogadores de rugby e suas respectivas namoradas e inclusive convenci um deles a pedir uma delas em casamento?

 

- Terão sido minhas olheiras profundas?

- Será que eu estava cheirando a birita?

- Ou seria apenas a minha cara normal de bagaceira?

 

 

Respondi ao velhinho:

 

- A noite foi boa. Já esta manhã, nem tanto.

 

Ao que ele soltou:

 

- Mas se a noite foi boa, a manhã seguinte vale a pena.

 

Não é fofo? Durante todo o dia, repeti mentalmente esse mantra cheio de sabedoria boêmia. Continuei de ressaca. Mas fiquei feliz.

 

Cúma?

Uma da tarde. Consulado brasileiro na Gringolândia. Guerreira, como boa brasileira que é, na fila para transferir o título eleitoral, juntamente com outros novecentos brasileiros que tiveram a mesma idéia de deixar para a última hora.

No guichê (essa palavra é sensacional) ao lado, a seguinte conversa se desenrola...

 

Personagem 1 - Noiva vinda diretamente do cartório. Terninho branco, buquê de rosas brancas num braço, maridão francês branco no outro.

 

Personagem 2 - Jovem moça toda afoita e serelepe. 

  • SERELEPE - Oi, desculpa, estou vendo que você casou e veio registrar o casamento aqui. Como está sendo o processo todo, fácil? Estou indo para o Brasil e queria resolver meu casamento antes. 
  • NOIVA - Então, bla bla bla bla...Mas já que você está indo para o Brasil, porque não resolve isso lá?
  • SERELEPE - É que meu namorado sueco não vai e já queria sair daqui casada. E com a papelada resolvida.
  • NOIVA - Porque? Tem medo de não conseguir entrar de volta?
  • SEREPELE - Não é isso...é que quero sair daqui casada.
  • NOIVA - Mas por quê? 
  • SEREPEPE - É que não quero deixar meu namorado sueco aqui sozinho, vai que o processo de autenticação demora, sei lá.
  • NOIVA - Ahhhh, é ciumenta, né?
  • SEREPELE - Não sou. Não é isso.
  • NOIVA - Então por quê?
  • SERELEPE - É que....sei lá....vai que ele muda de idéia. 

PS: Sei que às vezes parece mentira, mas juro que todas as histórias aqui contadas são verídicas! Não é minha culpa se as pessoas são assim!

3.0 mais 6

Então estava eu esperando o gringo-lindo buscar o carro alugado para nossa viagem (sim, porque o único meio de transporte que possuo são minhas pernas que, apesar dos 3.0, continuam em cima!).

Até então, sabia que iríamos de carro e que eu não precisaria levar o passaporte. De repente, chega gringo-lindo em casa. Acompanhado de alguns dos meus mais queridos amigos! A surpresa era uma viagem com membros preciosos da minha família londrina. Para um chalé em uma praia de penhascos no País de Gales, aqui conhecido como Wales, que significa Baleias, mas aí já estou divagando.

A viagem foi sensacional e bateu qualquer final de semana romântico, viu, amigos que ficaram com medo de que eu ficasse decepcionada com o final de semana "um milhão de amigos" ao invés de "detalhes tão pequenos de nós dois"! Tudo bem que coloquei velas perfumadas na mala...Serviram para perfumar a sala do chalé depois de memoráveis baladas!

3.0

Então os 30 estão chegando e estou ansiosa. Na verdade nem tanto pelos 30, mas pela viagem de comemoração surpresa que o gringo-lindo escolheu, comprou, marcou e não me conta de jeito nenhum para onde é. Fofo, né? Mas também um pouco assustador. Vejam bem. Outro dia pedi para ele me dar dicas sobre o que devo levar na mala. Hahaha. Roupas, foi a resposta. Quem mandou eu perguntar. Mas ele acabou dizendo que preciso levar minhas botas de caminhar e uma jaqueta à prova d'água. Ao que respondi:

 

EU: Criatura, ainda está frio. Você não está me levando para acampar, está?

G-L: Não, mas leve suas botas de caminhada.

EU: Não serve um tênis?

G-L: Não.

EU: Você sabe que eu quero fazer 30 bebendo champagne e não vinho barato de caneca, não sabe?

G-L:............ (silêncio lacônico)

 

Entenderam minha apreensão? No final ele diminuiu um pouco meu pânico dizendo que também devo levar saltos altos. Então ou ele está tirando uma ou meio do mato total não deve ser.

 

Enfim, embarco (sei lá em que meio de transporte) na quinta-feira. Volto no domingo. Mais velha. E com a resposta ao enigma.

 

perguntas que não querem calar 2

Como eu consegui voltar à Gringolândia branca e resfriada? Como pode alguém voltar de um mês no verão brasileiro parecendo uma lagartixa do nariz vermelho?

PS: Prometo que essa foi a última pergunta mal humorada. O mês na terrinha foi ótimo, o Carnaval já acabou, a gripe está passando, a TPM quase e dizem que não vai fazer quatro graus para sempre. O próximo post virá carregado de purpurina.

perguntas que não querem calar...

Por onde andam os cachos das brasileiras? CPI da escova progressiva já!

Por que eu marquei a passagem de volta à Gringolândia para o sábado de Carnaval?

Por que existem quatro jeitos de escrever porquê?

Por quê? Porque, por que, por quê!

ER

Tarde de sábado no hospital...nada grave, apenas uma gripe inofensiva disfarçada de suspeita de malária.

Durante cinco horas entre a recepção e o ambulatório, confesso que me diverti. Com:

 

- o tiozinho bêbado com a mão cortada. Falou sozinho por uma hora e chamou a enfermeira de boneca.

 

- a tiazinha indiana. "I am in pain". 15 minutos depois. "My infection is spreading all over". No final. "The infection is now in my brain, I can feel it". Deixando Cher & cia no chinelo. Escoladas, as enfermeiras têm um hipocondriacometro. Eu fiquei com meda e saí de perto.

 

- a família somali. A moça contorcida. O moço gritando para a receptionista. "I want second-opinion-doctor". Horas depois, sentada em minha salinha de ambulatório, ouvi o "second-opinion-doctor" explicando para o moço que o problema da moça era psicológico. "Ela precisa de um médico de cabeça". Sei que vou servir mojitos ao diabo por causa dessa, mas foi engraçado!

 

- o médico em residência, bunitinho, bunitinho (não, mentes férteis , sou uma rapariga casada e não brincamos de médico, apesar dele ter um estetoscópio de verdade). Mas atenção atenção, meninas solteiras da gringolândia! Os doutores mais belos da cidade estão no University College Hospital. Aproveitem resfriados fortes e suspeitas de infecções tropicais!

 

Do Senegal à Sibéria parte 2

A minha vida é mesmo um seriado...

 

Tradição de ano novo na Gringo-lindo-lândia:

Cada um recebe uma miniatura de chumbo (a minha era um sininho).

Depois da meia-noite, derrete a miniatura em uma colher na boca do fogão (bom, disseram para usar uma vela, mas não derretia então usei a boca do fogão e queimei o dedo e só percebi no dia seguinte).

Depois de derretido o chumbo, você vê com que a forma se parece e olha em uma listinha o significado...e como será seu ano novo...

 

MINHA AMIGA: Todos os anos que faço isso minha figura parece com um espermatozóide.

EU: Linda, às 3 da manhã de ano novo tudo parece com um espermatozóide.

 

MINHA AMIGA: A sua figura não parece com um espermatozóide.

EU: Não...se parece com um anjo! Ebaaaaa! Vê aí o que significa um anjo!

MINHA AMIGA: Significa que este será o ano que você ficará velha. Você vai mesmo fazer trinta anos, né?

EU: Alguém me traz mais um whisky, pelamor!

 

5 conexões

Estou em fase de planejamento de uma viagem de trabalho para a Indonésia (eba), onde devo conferir como está a situação um ano após o tsunami (snif). Mas venho me deparando com alguns problemas (humpf)... 

  • a agente de viagens não consegue achar aeroporto no meu destino, Banda Aceh. Quando encontra, diz que não tem vôo, porque a Garuda, companhia aérea indonésia, está em momento Varig de quase falência. De jegue eu não vou! 
  • horas depois a agente descobre que posso ir por Singapura. Com 5 conexões. Valeu, amiga.
  • o site do consulado diz que preciso pegar minha credencial de imprensa em Jacarta. Mas meu destino é em Sumatra. Será que rola uma ponte aérea?
  • no formulário do visto diz que você deve primeiro obter o visto para depois comprar a passagem. E o visto especial demora um mês para sair. Mas eles perguntam o número do seu vôo.
  • ainda no formulário, pedem a descrição de todos os lugares onde irei tirar fotos e filmar. E uma sinópse do que vou produzir. Queridos diplomatas indonésios, me arrumem uma assistente que providencio esse tipo de informação com esse tipo de antecedência.

Buuuuuuu

Há dois anos, não sabia que as crianças vinham mesmo pedir "trick or treat" em Halloween. Quando apareceram, eu tive que dar barrinhas de cereal para elas, a única coisa minimamente doce que tinha em casa. Ainda me pergunto porque elas não jogaram um omelete pela minha caixa do correio. Eu jogaria.

Aí no ano passado me preparei. Comprei um balde de doces. Fiquei esperando. E ninguém bateu na minha porta, nem uma criançazinha. Comi todos os doces sozinha e fiquei com dor de barriga.

Ontem saí tarde do trabalho e esqueci que era Halloween. Só lembrei quando ouvi uma criança fofa batendo na porta e gritando "trick or treaaaaaaat". Saímos correndo pela casa atrás de doce e só encontramos três biscoitos velhos e amolecidos. Então, nos escondemos na cozinha, eu e gringo-lindo, gente, que papelão. A criança foi embora e eu fiquei me sentindo a bruxa feia do leste de Londres.

Acho que eu não quero mais brincar de Halloween.

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